fevereiro 28, 2009

Legião Urbana

Essas efígies que habitam os balcões,sa-
cadas ou mesmo janelas fechadas dos
prédios antigos do centro da cidade, pas-
sam uma impressão de desânimo, de
desencanto. Penso que isso não estimula
nenhuma noiva a projetar-se na modelo.

Assim suspensas, parece que as moças
estão se lançando à rua aos pedaços.

fevereiro 27, 2009

Espantando os maus espiritos

Segundo o pai de santo Zezé de Xango,
o Marco Zero da cidade estava com
uma energia muito negativa que ema-
nava a toda cidade. Deslocou-se da Vila
Oficinas até a Praça Tiradentes para "re-
solver" o problema que sempre acaba
em violência.
Tomara resolva, Zezé de Xango!

POR LA PAZ

Guilhermo Vega Cortez é Colombiano.
No dia 25 de setembro de 2007 saiu de Cali com a meta de
andar 18000 km a pé.
Ontem à noitinha encontrei-o na esquina da Rua Riachuelo,
com Tv. Moreira Garcez, no sinal vermelho, a es-
pera de alguma doação, algum estimulo à sua bravata.
Conseguiu. O empresário Agenor Scorteganha, dono do Ho-
tel Maphi, em frenta onde ele estava, ofereceu hos-
pedagem por uns dias para que o viajante se restaure.
Emocionado com a solidariedade, diz que em um ano e
meio de trecho poucos lugares o recebeu tão bem quanto
Curitiba. Já cumpriu 8100 kms, dos 18000 propostos.

Meio e Mensagem

Tenho visitado e documentado casas cadastradas pela
Cohapar -Companhia de Habitação do Paraná-, Prefeituras
e Governo Federal, que serão relocadas por estarem em áreas
de risco.
Essas experiências com grupos sociais, que venho fazendo
ao longo dos meus mais de 30 anos de profissão, não param
de surpreender.
Com as fotos abaixo, mostro duas situações de um mesmo
meio ambiente.
Na primeira, Luciene Carvalho, 37 anos, cinco filhos, espera
ansiosa pela nova casa que começa a ser construida agora em
março.
Entre os trabalhos caseiros e o cuidado com os filhos, Lucia-
ne fica em frente a um velho computador, onde fez uma gam-
biarra ligando o celular e usando a linha para navegar. Insta-
lou também um programa de photoshop e fica tratando as
fotos que tira dos filhos e da familia. Com isso descobriu que
quer e pode ser fotógrafa.
Cria complementos às fotos, como flores, bichinhos, por-do-
sol, ao gosto de seu público alvo.
Agora é só esperar ter um endereço digno, fazer cartões de
visita e realizar o sonho de ser fotógrafa, trabalhando em casa.
Enquanto isso é esperar que a casa onde esta agora não caia até lá.
No quarto dos meninos , uma parede já caiu.

Luciane e dois dos filhos, no buraco da parede onde cairam
as tábuas.

A casa de dona Ieda
O barraco de dona Ieda Pereira Oliveira é menos animado.
Aliás, o desânimo parece estar impregnado das panelas aos
gatos daquela casa. Muitos, esse gato branquinho parece
ter conquistado o espaço nobre sobre a televisão.
Durante o tempo que passamos lá, ele nem se espregui-
çou.
Aos 71 anos, dona Ieda divide o espaço com a filha, cinco
netos e agregados que ela acolhe.
Provavelmente a única receita da casa seja sua aposenta-
doria.
Agora parece ver uma luz ao final do túnel, com a espera
da casa que a tirará da favela.
Sonha com um quarto com janela.





fevereiro 26, 2009

Paço da Liberdade







O Paço da Liberdade, onde fica o prédio
da antiga Prefeitura de Curitiba, acaba
de por abaixo os tapumes que impunham
limite com as praças que circundam o pré-
dio.
O restauro, em seu acabamento, enche de
trabalhadores a fachada e o interior, re-
criando a ânima do espaço.
A Shiva de Curitiba, como chamo a figura
do alto, também exibe sua nova plástica.
Já os Atlantes, ou Hércules, como os deno-
minam o memorial descritivo do prédio,
sustentam elegantemente a entrada, dando
boas vindas à nova fase.


Pedra Sobre Pedra




O Paço Municipal de Curitiba, onde funcionou a Prefeitura
no começo do século vinte, esta em fase de acabamento
no seu restauro.
As pedras portuguesas ou petit-pavé, perseguidas e conde-
nadas pelo Ministerio Público e Crea, estão sendo reaplica-
das em seu desenho original, na fachada que dá frente para
a Praça Borges de Macedo.
Já do lado da Generoso Marques, houve bastante mudança
no piso. No lugar do petit-pavé, uns elementos de concreto
com uma textura que mantém a sujeira, causando péssima
aparência. Que pena.


fevereiro 25, 2009

Cinza, Gris, Borralho...

Quarta-feira de Cinzas, de borralho.
Dia de ressaca. De beber água que passarinho bebe, e pom-
bo também.

fevereiro 24, 2009

Casa e Lar

A singeleza, a fé, as vocações e preferências dos moradores das
casas de periferia e do interior, estão presentes em pequenos
detalhes. Num quase nada que transforma a CASA em LAR,
como essa de Kaloré.
Costurar prá fora era uma das atividades comuns entre do-
nas de casa que precisavam complementar o orçamento do-
mésticos. Aliás, em muitos casos o filho moço ia frequentar
aulas de datilografia, enquanto a moça ia fazer
corte e costura. Essa imagem foi feita em uma casa de No-
va Londrina.
Confesso que me angustia qualquer ser preso. Mas esse casal,
assim tão grudadinho, parece provar que qualquer situação
adversa é mais suave a dois.

fevereiro 23, 2009

Luz de Longe

No sábado de carnaval, uma "pescoçada" da sacada para a
Avenida Cândido de Abreu, onde carros alegóricos e cen-
tenas de foliões sambam na chuva e se divertem,acreditem!

NaftaLina

Relojoaria da Travessa Tobias de Macedo, 1993.
Hoje, relojoaria de produtos chineses, com móveis
modernos e outro proprietário.

Casa Edith
Tradicional comércio que funciona desde o final do século
dezenove, no mesmo lugar com os mesmos produtos.

Relojoaria Reader
Resistiu até a morte do proprietário.


Alfaiataria Riachuelo
Quando o ônibus expresso ainda passava pela rua.
A loja continua aberta.
Vende muitos coturnos para tribos urbanas.


Naftalina, esse apelido me dei.
Tenho um que, não de nostalgia, mas de gosto por olhar os lugares pelo retrovisor.
Na verdade, só olho e registro os lugares. Eles é que se transformam rápido, fazendo de tudo memória.
As fotos que posto, nem tão antigas assim, foram feitas há quinze anos.
Mais exatamente em 1993, quando documentei essa área do centro antigo da cidade de Curitiba.
Agora, que vivo e continuo documentando a região, faço essa pequena edição de comércios antigos da Rua Riachuelo. Desses, a Alfaiataria Riachuelo, da primeira foto, está no mesmo lugar, com a mesma decoração. A lendária Relojoaria Raeder, fechou logo após a morte do Sr. Carl Reader. A Casa Edith continua no mesmo lugar, vendendo chapéus, cerolas, suspensórios, ligas para meia soquete, lenços de tecidos e todos produtos, digamos, de menos uso nos dias modernos.
Há ainda a relojoaria que tinha esse belo balcão anos 50, mas que virou uma relojoaria de produtos chineses.
Assim pulsa, caminha e se transforma a cidade.
Em alguns pontos de forma acelerada. Em outros assim, resistindo às transformações.

CIDADE, PASSAGEM, CIRCULAÇÃO

UM OLHO NO ESPECTADOR...

OUTRO NO ESPETÁCULO



fevereiro 22, 2009

Caleidoscópio Urbano





O caleidoscópio da paisagem urbana é volátil, fugaz.
Uma paleta de infinitas cores, que muda ao ritmo do
cotidiano da grande cidade.
Muda de forma, também. Serve, atrapalha, enfeita, enfeia, estanca e flue.
Esse é o movimento, o rebolado da cidade.

Espaço e Não Espaço







O sujeito contemporâneo habita um espaço-tempo diferente da modernidade ou pós-modernidade. Segundo o antropólogo francês Marc Augé, o mundo da globalização econômica e tecnológica é um mundo de passagem, de circulação. "Mais que crise de identidade, é uma crise de espaço", afirma ele. Acima, fotos de Campo Magro, onde pessoas moram em áreas de riscos, à beira de nascentes de rios, empilhados nos fundos de vale que, a rigor, não deveriam ser ocupados, por questões ambientais. Esse Não Lugar, mudará. As pessoas que moram à beira do rio serão relocadas para conjuntos habitacinais, pela Companhia de Habitação do Paraná, Prefeitura de Campo Magro e Governo Federal. Esses, provavelmente não invadirão mais. Mas, e seus filhos que casarão? E o cunhado desempregado que veio com a familia de outro lugar?
A densidade humana dá mais segurança e garante alguma logistica, por mais precária que seja, aos desvalidos.

Quem sou eu

Minha foto
Curitiba, Paraná, Brazil
Sou fotógrafa e curiosa. Vivo na cidade de Curitiba e gosto de olhar e documentar a relação das pessoas com os espaços em geral. Levo isso ao pé da letra, quando fotografo as ruas e sua ocupação desordenada. Também nos interiores das submoradias, longe de qualquer padrão de ordem mas com um sentido de segurança, mesmo que penduradas e vulneráveis à primeira chuva. Mas tudo isso tendo como compromisso a beleza, a harmonia. Mesmo na realidade de uma favela, resgatar a dignidade através do belo é o que me interessa. Gosto também, e muito, de design e arquitetura. Da social à contemporânea, o gosto pelo ocupar me interessa. contato: linafaria@yahoo.com.br
Todos os direitos reservados à autora.
Fotos podem ser copiadas desde que com menção à fotógrafa e sem fins comerciais.

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